terça-feira, 3 de março de 2009

Epitáfio de Um Curinga


"O curinga moldado pelo tempo e destruido pelo tempo pois não podemos fugir do tempo" (Jostein Gaardner)


Eis a História de um curinga que sendo insano enlouqueceu
As sem razões da razão não lhe deram alternativa Correu loucamente para fugir do inexistente
Em linhas, em círculos, em espiral
O perseguidor carrega em si todas as formas
Pois estando em tudo, é tudo
E rindo loucamente o relógio parado endoidece o homem culpado
O curinga apresado
A vida indiferente
Eis o tempo, que em todas as formas e cores o permeia
O persegue
E ri como um lunático sem remédio que a todos devora
A todos envolve
A todos destrói
A todos ama
Eis o relógio que rindo pode cantar
Entoar um canto antigo para ninar o mendigo
O curinga que no mundo do tempo é prisioneiro
É maltrapilho
É mendigo
O curinga esbaforido olha em volta
Porém tudo que vê é tempo
O que pensa é tempo
O que sente é tempo
Tudo é tempo porque tudo pertence ao tempo
E o relógio apressado rouba as horas
Ou as devolve
Seriam elas o grande presente?
Depende de quem conta
Depende de quem vive
Depende de quem ri
As sem razões da razão do tempo roubaram alegres a sanidade do curinga
"Ingenuo" elas pensaram
Não se pode correr do tempo
Tic TAC bate o coração
O curinga curioso olha para si
E já suas roupas vivas perdem a cor
O calor do corpo se vai
Os fios de cabelo não mais estão
E quando as sombras desaparecem
Ele é o próximo que estando ali já não estará mais
Envolvido pelo tempo
Engolido pelo tempo
Amado pelo tempo
Porque mesmo na insanidade não se pode frear o tempo
E mesmo na corrida incesante da existencia
Não se pode fugir do tempo
Eis portanto o fim de um curinga exausto
e a continuidade de um tempo feroz
Que sendo gigantesco é pequeno
e mesmo detruindo é amoroso
-
Para compreender melhor o personagem do curinga, leia O Dia do Curinga de Jostein Gardner

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